31 - Clínica intercultural e escuta psicanalítica
Atualizado: 24 de set.
Há pacientes que chegam à primeira sessão com uma frase aparentemente simples: «Desde que imigrei, já não sei quem sou.» Não se trata apenas de adaptação a um novo país. Nesta frase podem estar presentes uma ruptura na língua, o afastamento da família, a perda de estatuto profissional, a culpa por ter partido e a exigência de recomeçar. É neste ponto que a clínica intercultural se torna uma questão decisiva para quem pretende exercer a função psicanalítica junto de pessoas que vivem entre referências culturais diferentes.
Escutar interculturalmente não é decorar hábitos de vários povos nem aplicar explicações prontas sobre brasileiros, portugueses, latino-americanos ou norte-americanos. É reconhecer que cada sujeito se constitui na linguagem, nos laços familiares, nas normas sociais e na história do lugar onde viveu. Ao mesmo tempo, exige não reduzir o sujeito à sua origem. A cultura está presente na clínica, mas não esgota o inconsciente...(Continua)






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